Archive for December, 2006

Às Vezes

Thursday, December 21st, 2006

Tudo que é verdade
Pode ser maior que eu
Pode ser o infinito
Pode nunca se mostrar

Tudo que é verdade
Pode ser menor que eu
Pode ser o que acredito
Posso sempre demonstrar

Tudo que é verdade
Pode ser igual a mim
Pode ser melhor assim
Pode às vezes me calar

Convém

Thursday, December 21st, 2006

O meu patamar de luz
não iluminou
teu jargão de paz
teu olhar azul
que não se destrai
nesse meu viver
que não é capaz
de viver a sós
e virou algoz
do próprio sentir
que se faz existir
desse leva e trás
desse vai e vem
que só lhe convém
porque não dá mais

O meu calendário nu
não penalizou
minha intenção
de voltar atrás
de regar o mesmo chão
como se um coração
pudesse sempre optar
por bater na escuridão
quase ouvindo o som do amor
que balança mas não cai
na agonia dessa dor
que convence o meu humor
a viver do leva e trás
a correr do vai e vem
que só me convém
porque não sou mais

Pessoas

Thursday, December 21st, 2006

E vem / da força do sol
do brilho ao redor
da minha oração

E não / prevê temporais
não teme o pior
consome o meu caos

E tem / um gosto de paz
verdade no olhar
a voz de um irmão

E vai / regar meu amor
crescer no meu mar
adeus solidão

A Paixão

Monday, December 18th, 2006

De longe te vejo
Não muito mais que uma sombra
A caminho do nada
De longe te espero
Nada mais que um desejo
Sentimento que enfada

Às vezes me esqueço
Às vezes me calo

Mas logo me lembro
E então extravaso
Não penso no tempo
Não existe prazo
Pra dizer que te amo
Eu te quero
Eu te caço

De perto te vejo
Não muito mais que uma sombra
A caminho do nada
De perto te abraço
Nada mais que um beijo
Que não vale mais nada

Mudar de Cor

Monday, December 18th, 2006

Vai camaleão / me diz assim é que
tem que viver / se esconder
De um jeito que ninguém vai perceber
na multidão / na escuridão
Que eu me torno quando quero gritar
sem ter razão

Camaleão / como é tão fácil pra você
mudar desapegar / ou pelo menos
poder disfarçar a solidão

Eu quero ser seu aprendiz / camaleão
Mudar de cor fingir que estou feliz
Camaleão

Que passa a vida vendo a vida passar
do seu lugar / que tem o tom esverdiado
do mar / quando é verão
A mutação / que deixa tudo do jeito
que está / que bem no fundo não dá
pra notar / que eu preciso pra poder suportar
a indecisão

Eu quero ser seu aprendiz / camaleão
Mudar de cor fingir que estou feliz
Camaleão

A Ilha

Sunday, December 17th, 2006

Praia da Conceição baira-mar / beira perfeição
Primeira impressão de uma porção de paraíso
Cercada de sonhos por todos os lados

A brisa agora vem do mar de fora / doce assédio
Acaricia o Forte dos Remédios e seus poucos mistérios
Eu olhava pras ondas me mandando recados

Acompanhava o sol / um farol que gira por dó
Na Praia do Boldró como um girassol segui seus traços
Abraçava o horizonte com seus raios

Arco-íris sob a água sempre que eu mergulhava
E escutava o restrito silêncio escondido em Atalaia
Colecionava sotaques de peixes calados

Praia do Leão visão que alucina / aproxima a ilusão
Emoção genuína dessa louca vacina anti-razão
Transpirava o momento quase hipnotizado

E ali eu me deito / na Baía do Sancho
Perto de ser perfeito / perto da utopia

E subir esse morro / admiro não canso
Praia do Cachorro / miragem lá em cima

E ali me despeço / de todo esse encanto
Voltar eu espero / pra Vila do Trinta

Na Frente do Verso

Sunday, December 17th, 2006

Tua poesia de olhar
Me levou / não quero voltar
Tudo que era rima ficou
Na distância / mesa de bar

Em Quantos Dias

Saturday, December 16th, 2006

Eu já estou farto de tentar me convencer
Essas verdades que ninguém pode provar
Não sou vassalo de esperar amanhecer
Todas as noites foram feitas pra brincar

Estou no meio de um programa de TV
Não ter dinheiro pode desclassificar
Realidade que você não quer viver
Todas as noites foram feitas pra brincar

Eu já estou farto de tentar entender
Esses mistérios que ninguém pode explicar
Em um palácio ou na beira de não ter
Todas as noites foram feitas pra brincar

Aquela dúvida de ser ou não ser
E as perguntas que pairam no ar
E na pronúncia no nosso escolher
Todas as noites foram feitas pra brincar

Eu já estou farto de às vezes me esconder
Alguns espinhos são mais fáceis de quebrar
Enquanto os dias me ensinam a viver
Todas as noites foram feitas pra brincar

 

Remédios

Saturday, December 16th, 2006

Te procurei no meu quarto na sala
Num copo de vinho e mais alguns
Nos sonhos às vezes você aparece
Nos pesadelos nunca está
Alguém me disse que te viu na rua
Num bar ou algum outro lugar

Não ouvi não entendi
Ou preferia não acreditar
Esqueci minhas dores
Não tomei os remédios
Mas não me sinto mal

Te procurei naquela música
Na memória e no pôr do sol
Abri as gavetas daquele armário
E da saudade também
Encontrei tuas roupas velhas dobradas
E os remédios que não tomei

Algumas boas lembranças
Outras que nem lembrei
Não sei se julguei mal
Se fui injusto ou nem pensei
Nas vozes em minha cabeça
Que ainda são as mesmas

Tentei substituir
Tua companhia teus beijos
Por prazeres da vida
Que considero pecado
E continuo achando
Que errei ao tentar te esquecer

Acredito no Que Sinto

Thursday, December 14th, 2006

Não posso mais me calar
Deixar de expor minhas idéias
Não quero mais aceitar
O que andam dizendo por aí

Não vou me subordinar
Só pra acompanhar a maioria
Não quero nem disfarçar
Eu tenho a minha própria teoria

Não posso mais acreditar
No que vejo na televisão
Não quero me basear
No filósofo que tinha razão

Não vou mais raciocinar
Sobre a hipótese da incerteza
Não quero mais concordar
E do conformismo ser uma presa

Eu sei que tudo que me dizem
De algum modo vai me ajudar
Teorias idéias raciocínios
Que formam uma opinião
Mas isso não influencia
No que eu vou acreditar
Eu acredito no que sinto
No que sente o meu coração